segunda-feira, 2 de junho de 2008

Não existir

Certa vez, tentei falar com minha última namorada sobre algo que é constante em minha cabeça. Ela me deu um esbregue e a conversa morreu. Nem por isso deixou de ser presente em meus pensamentos, todos os dias. Ultimamente anda ainda mais forte.
Não quero assustar ninguém, não há motivo para isso, mas não há um único dia em que não pense em morrer.
Muita calma nesta hora, não sou uma suicida em potencial. Fui criada em família espírita e isso seria um sacrilégio. Nem morrer se pode, a menos que Deus decida que sim.
Alguém me falou que o que penso e sinto era tal qual pensava Fernando Pessoa. Não sei se é verdade, mas já achei minha crise existencial "podre de chic".
Vamos lá. Na verdade não é vontade de me matar, mas gostaria de não ter existido. Segundo me disseram, isso era o que também sentia Pessoa.
Por que isso? Porque a vida é por demais sofrível emocionalmente. Não falo romanticamente, falo em todo e qualquer sentido.
A falta de comunicação, a transparência do existir, quando as pessoas me olham e não me vêem. Olhar que atravessa e não se fixa. Pessoas que compartilharam minha alegria, meu beijo, meu colo, minha cama, minha ira, minha luta. Mesmo assim não me enxergaram.
Para viver sozinho na multidão, sozinho e transparente, melhor seria não ter existido.
Como já falei aqui certa vez, amo a humanidade mas não me encaixo muito bem nela.
Sou do tipo que quando não consigo me fazer entender, me colocar, calo e penso para dentro.
Entrego os pontos facilmente para a humanidade e vivo meus pensamento de eremita.
Isso acontece zilhões de vezes.
Queria alguém com quem conversar e chorar, exatamente agora.
Queria ser eu com companhia.
Só isso.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Duelo íntimo

Acho que sei porque empaquei, porque não consigo postar.
Minha cabeça é por demais certinha, cri cri.
Não tenho talento para muita abstração.
Preciso das coisas em sequência temporal.
Me sinto devendo explicações que não quero dar.
Como se estivesse omitindo algo importante, mentindo.
Consciência pesada por não falar aqui de algo que não quero falar.
Contraditório ? Com certeza. Essa sou eu.
Pois bem, ano passado andava eu tão inspirada, apaixonada até.
Tudo desvaneceu.
Triste dar o braço a torcer, expor que não vingou.
Embaraçoso confessar mais um insucesso, um pouco de orgulho e vaidade também.
Meio aborrecido falar de relacionamentos, tanta gente fala sobre isso, gente gabaritada.
Porém, me propus neste blog a reflexões simples, comuns, por uma pessoa comum, que seja então.
A siciliana optou por terminar nosso relacionamento.
Fez assembléia, propôs o fim, votou e nem me chamou a participar.
Fui apenas informada do resultado final.
De início senti muita revolta, foi esse mesmo o sentimento, revolta.
Agora está tudo relativamente aceito.
Infelizmente ela abortou a possibilidade de nos misturarmos ainda mais.
Minha tão querida siciliana, que se intitula guapa, mas é tão frágil.
Guerreira sim, mas frágil.
O querer bem permanece, mas é estranho acostumar-me que não existe mais o "nós", que ela está aberta a outros vôos e eu também.
É difícil decolar agora, tão sem impulso, sei lá...
Não estou deprimida, nem chorosa, longe disso, mas momentaneamente sem rumo e sem bússola, isso sim.
Por outro lado, tenho a plena certeza de que é normal que seja assim, toda cicatrização demanda tempo.
Felizmente, logo estarei abrindo e fechando novas feridas.
Enquanto há vida,há.....asas a quebrar e coração a partir e olhos a sorrir e cara a bater e .......tudo assim, sem vírgulas.....num continuo......vida, vida, vida.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Voltando para a "real" ...

Pois bem...
Desde que saí de férias no início do ano, não tenho postado aqui.
Parece que andei fora do ar, fora da minha realidade, esperando que algo acontecesse e...
Nada, ou melhor, nada aconteceu, nada significativo, que somasse, que mudasse positivamente minha vidinha.
O tédio e uma certa deprê acamparam por aqui, mas estão sendo chutadas para escanteio.
Cá estou me explicando, chega!
Vamos ao que interessa:
Neste último final de semana fui a Porto Alegre.
Assisti ontem ao maravilhoso show de Mônica Salmaso e banda Pau Brasil, no não menos maravilhoso Theatro São Pedro.
A banda, perfeita.
Músicos virtuosíssimos e Mônica, simpatissíssima, simples, humilde e claro, grande cantora.
Infelizmente ela ainda não é muito conhecida aqui pelo sul, mas o teatro lotou.
Meu coração bateu fortíssimo ao ouvir "Suburbano Coração", que já me fez postar aqui uma vez.
Lindo, lindo...
Quando cantou "Beatriz", foi encantador.
Foi Chico Buarque o tempo todo, nem precisa comentar a qualidade do repertório.
Enfim....estou voltando para o que me dá prazer, para mim mesma e estou gostando disso.
Aos poucos vou pegando ritmo e volto a postar com mais alma.
Chego lá já já.
Tchau e bênção.

segunda-feira, 24 de março de 2008

"Totalmente in"

Estou tentando criar coragem para recomeçar a escrever.
Não sei exatamente porque estou resisitindo tanto a me abrir.
Mesmo que ninguém ou raríssimas pessoas leiam o que escrevo aqui, ainda assim, está muito difícil registrar o que se passa pela minha cabeça neste momento.
Até com meus amigos estou assim, "in". Alguns reclamam.
Não é intencional, é emocional mesmo.
Então vou deixar acontecer.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Desacelerando

No olho do furacão, é assim que estou me sentindo nestes últimos dias.
Amanhã começo a desacelerar (espero!).
Vou para Brasília rever amigas muitíssimo queridas.
O natal passaremos em Pirenópolis, GO.
Na volta conto tudinho (talvez!).
Fui.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Que venha a vida !

Nunca estive tão viva, no real sentido de estar viva
Incertezas, dores, esperança
Vontade infinda de continuar vivendo,
dissecando, transpondo, evoluindo
Espectadora de mim
Espetáculo interessante
Ora drama, ora comédia, quiçá épico
Vontade de seguir essa aventura
Emoções...
Quais serão as próximas?
Que venham, estou pronta

A saga do ego contra a tempestade

Esse chip que sou eu, que guarda o que vivi, sinto e penso
Esse cofre onde me poupo, me economizo
Essa ostra onde me escondo
Esse ínfimo ante o tudo absoluto
Essa coisa mínima ante o mundo real
Mesmo nesse estado, pulsa, anseia por ar, resiste a se entregar, peleja
É consciente de si
Resiste, teima, insiste
Micróbio involuntário no universo
Só tem um rumo, curso, rota
Em frente.