O terreiro era amplo, de terra batida.
Arborizado. Árvores grandes, sombra farta . Casinhas simples. Umas três ou quatro casas, dispostas de frente umas para as outras, como se conversassem, pátio comum. Algum tipo de construção de barro. Casas brancas meio descascadas.
Temperatura gostosa. Calor ameno com brisa suave.
Uma senhora de mais de sessenta anos conversa com uma moça mulata, enquanto fazem as lides do dia. A moça varre o terreiro com vassoura de ervas, roupas modestas e muito limpas. Cheiro de algodão bem passado. Ferro de brasas. Pessoas muito simples, rostos limpos, almas limpas, transparentes, felicidade nos rostos. Ambiente pobre e bom, segurança de família boa.
Vida simples, protegida por natureza generosa.
Nessa vidinha simples de quem planta e colhe, pesca e cozinha, celebra e dança, fui feliz algum dia.
Sinto falta de tempos que não vivi, pessoas que não conheci, lugares onde não estive. Apenas sei que era muito bom e que dá um grande banzo, saudade do que não sei o que é, que me fez muito bem...não entendo, apenas sinto...
domingo, 25 de novembro de 2007
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Onde a vida faz a curva ?
Ontem eu era jovem, menina. Pensava em como seria a vida quando fosse dona do meu nariz , em pleno exercício da maturidade.
Pisquei os olhos e estou com 43 anos. O amanhã é hoje. Tão rápido, que nem deu para curtir a viagem.
Imaginava que ser adulta seria diferente, que seria tomada por súbita sabedoria. Que não faria besteiras.
Saberia sempre o caminho certo. Teria resposta para tudo.
Que ilusão.
O que mais tenho são dúvidas e, infelizmente, uma grande sensação de desperdício de tempo e vida mal vivida.
Aprendi algo que sequer supunha: - não existe plena maturidade.
Não sei em que momento a transição ocorreu.
Nem percebi onde a vida fez a curva.
Pisquei os olhos e estou com 43 anos. O amanhã é hoje. Tão rápido, que nem deu para curtir a viagem.
Imaginava que ser adulta seria diferente, que seria tomada por súbita sabedoria. Que não faria besteiras.
Saberia sempre o caminho certo. Teria resposta para tudo.
Que ilusão.
O que mais tenho são dúvidas e, infelizmente, uma grande sensação de desperdício de tempo e vida mal vivida.
Aprendi algo que sequer supunha: - não existe plena maturidade.
Não sei em que momento a transição ocorreu.
Nem percebi onde a vida fez a curva.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Colo
Olhos vidrados
Cansaço extremo
Desconforto
Pensamentos descoordenados
Exaustão física e mental
Impossível desligar
Necessidade de proteção
Porto seguro
Esconderijo
Abrigo
Ninho
Amparo
Um certo colo moreno
Era tudo o que eu queria...
Cansaço extremo
Desconforto
Pensamentos descoordenados
Exaustão física e mental
Impossível desligar
Necessidade de proteção
Porto seguro
Esconderijo
Abrigo
Ninho
Amparo
Um certo colo moreno
Era tudo o que eu queria...
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Absurdus Patéticus (*)
Amar a humanidade é fácil.
Difícil é amar as pessoas uma a uma.
Há que se ter paciência de Jó.
Em bloco elas são lindas.
Constroem maravilhas.
Compõem obras-primas.
Individualmente...mais difícil que aprender física em libras.
(*) Não é latim? Tanto se me dá! Azedei.
Difícil é amar as pessoas uma a uma.
Há que se ter paciência de Jó.
Em bloco elas são lindas.
Constroem maravilhas.
Compõem obras-primas.
Individualmente...mais difícil que aprender física em libras.
(*) Não é latim? Tanto se me dá! Azedei.
Sem título, sem palavras...
Quando estamos nos sentindo muito sós e as pessoas de quem gostamos estão se divertindo, deixam de nos gostar?
Nesse exato momento em que se divertem, anulam nossa existência, esquecem que existimos?
Maluco? Totalmente.
Que melancolia me bateu (ou abateu).
Na verdade, esse estado de espírito vem crescendo desde ontem a noite.
O monstro vem fermentando desde então.
Sexta-feira é tiro certeiro (abateu mesmo!)
Minha namorada vai à Feira do Livro em Porto Alegre.
Minha amiga Lu vai ao cinema em Brasília.
O mundo todo deve estar indo a algum lugar se divertir.
Serei a única a ficar em casa, me achando a mais ínfima das criaturas.
Normal?
Certamente não deve ser.
Não quero avaliar, só quero expelir, fazer minha catarse.
Que emoção é essa que me acompanha faz tanto tempo?
Essa tristeza absurda, essa solidão feito prisão perpétua.
Parece que minha alegria tem horas contadas e quando vem, me assiste sozinha:
Lendo, ouvindo música ou vendo algum filme.
Seja como for, é com algo que posso fazer só.
Ainda bem que existe música, literatura e cinema.
Senão, como poderia agüentar?
Desde que me lembro, sempre fui meio solitária.
Por outro lado, nunca fui arredia a conhecer gente.
Sempre gostei de estar com outras pessoas, mas elas tinham hora certa para chegar e partir.
As pessoas não se demoram comigo.
Todos têm uma vida para onde voltar.
Eu nunca volto, porque nunca saio da minha.
Nesse exato momento em que se divertem, anulam nossa existência, esquecem que existimos?
Maluco? Totalmente.
Que melancolia me bateu (ou abateu).
Na verdade, esse estado de espírito vem crescendo desde ontem a noite.
O monstro vem fermentando desde então.
Sexta-feira é tiro certeiro (abateu mesmo!)
Minha namorada vai à Feira do Livro em Porto Alegre.
Minha amiga Lu vai ao cinema em Brasília.
O mundo todo deve estar indo a algum lugar se divertir.
Serei a única a ficar em casa, me achando a mais ínfima das criaturas.
Normal?
Certamente não deve ser.
Não quero avaliar, só quero expelir, fazer minha catarse.
Que emoção é essa que me acompanha faz tanto tempo?
Essa tristeza absurda, essa solidão feito prisão perpétua.
Parece que minha alegria tem horas contadas e quando vem, me assiste sozinha:
Lendo, ouvindo música ou vendo algum filme.
Seja como for, é com algo que posso fazer só.
Ainda bem que existe música, literatura e cinema.
Senão, como poderia agüentar?
Desde que me lembro, sempre fui meio solitária.
Por outro lado, nunca fui arredia a conhecer gente.
Sempre gostei de estar com outras pessoas, mas elas tinham hora certa para chegar e partir.
As pessoas não se demoram comigo.
Todos têm uma vida para onde voltar.
Eu nunca volto, porque nunca saio da minha.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Astronauta Lírico
Sons sinuosos
tics, plics, tacs gostosos
Fechar os olhos e me entregar
Corpo percorrendo as curvas do som
Perseguir o ritmo por impulso
Alma pulsando no corpo que dança
Discursar em vocalises
Alegria melódica
Impossível parar de ser feliz nesse momento
"Eu astronauta lírico em teeeeerra" (*)
(*) Vitor Ramil
tics, plics, tacs gostosos
Fechar os olhos e me entregar
Corpo percorrendo as curvas do som
Perseguir o ritmo por impulso
Alma pulsando no corpo que dança
Discursar em vocalises
Alegria melódica
Impossível parar de ser feliz nesse momento
"Eu astronauta lírico em teeeeerra" (*)
(*) Vitor Ramil
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Minha Família
Alegria triste - maresia
Resistência e teimosia - calor
Introspecção e criação - geada
Anonimato e coragem - exuberância
Folguedos e fúria - cores
Quem são meus parentes?
Moram no Tocantins ou no Pará
Quem são essas gentes, tão afeitas a mim e tão distantes ?
Moram em Sergipe ou Maranhão
Cantam outras palavras
Pensam outras cantigas
Falam outros gestos
Quero ouvir seus causos
Sintonizar sua poesia, pela pele, olhos e ouvidos
Ser uma só e ser mil
Fragmentos de caleidoscópio
Formar belas figuras
Mudar, mudar e mudar...
Resistência e teimosia - calor
Introspecção e criação - geada
Anonimato e coragem - exuberância
Folguedos e fúria - cores
Quem são meus parentes?
Moram no Tocantins ou no Pará
Quem são essas gentes, tão afeitas a mim e tão distantes ?
Moram em Sergipe ou Maranhão
Cantam outras palavras
Pensam outras cantigas
Falam outros gestos
Quero ouvir seus causos
Sintonizar sua poesia, pela pele, olhos e ouvidos
Ser uma só e ser mil
Fragmentos de caleidoscópio
Formar belas figuras
Mudar, mudar e mudar...
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