Prometi que contaria como foi a viagem a Porto Alegre, então aí vai.
Cheguei febril, cansada e com dor no corpo. Cabeça pesada.
Tudo me dizia que não deveria ter ido, mas fui.
Tive uma semana difícil, problemas com a saúde.
Minha médica incentivou a fazer a viagem, fazer algo diferente, que desse prazer, aliviasse as preocupações.
Mas que foi loucura, foi.
Não agüentava tanto desânimo, aquela sensação de fadiga no corpo todo.
Isso não é estado de espírito e físico para se conhecer alguém, para um primeiro encontro.
Cheguei cedo. Tinha algumas horas até ela sair do trabalho e ir para casa me esperar.
Fui gastar tempo num shopping, comprei uma calça jeans. Mas só pensava em me deitar em qualquer canto, num cobertorzinho, um travesseirinho macio. Nada me chamava atenção.
Além disso, estava super ansiosa, é claro.
Mandei mensagem no celular, perguntado se ela queria que levasse algo. Pediu laranjas. Achei tão lindo. Como sou boba.
Na maior empolgação comprei quase uma salada de frutas inteira: laranjas, bergamotas, kiwi, maçãs e bananas.
Passeando pela seção de frutas e legumes, deu uma enorme vontade de tomar uma sopinha. Ser mimada. Como a moça já me havia advertido que era péssima na cozinha, pensei em levar aqueles pacotinhos em que todos os legumes são pré descascados e picados. Peguei um, mais frango em pedaços e uns pãezinhos.
Tudo comprado, peguei um táxi e fui para a casa dela.
Fui recebida na porta do prédio. Ela sorriu e ajudou com as sacolas.
Conversamos um pouco, me senti muito bem, apesar do previsto constrangimento inicial.
Ela mostrou o apartamento. Típico dela, totalmente em "ebulição". Arrumação não é a praia dela. Muitos livros.
Uma gatinha arisca de pêlo de várias cores.
Ela e eu fazemos aniversário no mesmo dia, ambas aquarianas. Mas cá entre nós, ela é mil vezes mais aquariana do que eu.
Passei a me achar tão certinha. Está bem, eu sou certinha !!! Mas ficou ainda mais evidente, pronto.
Pensei na minha casinha, arrumadinha, tipo casa dos três ursinhos da estorinha infantil.
A dela, bem diferente e adorei estar ali.
Queria muito um abraço que não acontecia. Demorou a sair.
Tudo transcorreu divertido. Comuniquei que ela me faria uma sopinha, que deveria cuidar de mim, mimar muito. Minha insistência em viajar doente merecia.
Fiquei preocupada em passar a gripe para ela. Avisei antes de comprar a passagem. Avisei durante a viagem e já na casa dela. A guria é valente, guapa mesmo!
Quis minha visita apesar de todo vírus.
Claro que nada é perfeito, minha "fantasia" de ter uma "namorada" que cozinhe bem....nada feito.
A moça não sabia nem fazer uma sopinha pré pronta. Tive que ensinar, mas ela a fez com o maior carinho.
Enquanto a sopa cozinhava, fizemos preguiça "bem boa" na sala, conversando e ouvindo CDs. Nossos gosto musical (refinado!) combina muito. Aliás, nossos primeiros papos sempre foram sobre música.
Ainda quando só conversávamos na internet, ela me apresentou umas bandas latinas contemporâneas . Som com uma batida muito gostosa.
Fiz uma seleção de músicas com Mônica Salmaso, cantora paulista que adoro. Gravei para ela, que nem prestou atenção. Ficou pegando no meu pé o tempo todo, dizendo que era chato.
A danada prometeu ouvir depois, sozinha, com calma, prestando atenção.
Também gosto da primeira audição de músicas novas assim, sozinha, concentrada.
Ai que ela não goste !
Sopinha tomada, até que ficou gostosa, troca de histórias de família. Olhamos fotos antigas.
A moça é de origem siciliana, mais precisamente o avô materno.
Morena, olhos escuros, pequenina. O tipo físico que cabe direitinho no colo. Estilo alternativo, meio underground. Riu quando eu disse isso.
Nos percebi tão parecidas e tão diferentes. O bom é que isso não tinha a menor importância.
Viver aquele momento gostoso e ponto.
Mais? Ah, isso já é outro papo.
sábado, 30 de junho de 2007
SONRISA II
Estou exausta.
Sono, gripe forte e frio.
Uma noite mal dormida.
Acabo de chegar de Porto Alegre.
Fiz uma maratona louquíssima.
Fui para passar uma noite e voltar de manhã. Tudo isso com uma gripe terrível.
Profecia cumprida: a moça realmente tem um belíssimo sorriso e fiquei olhando para ele com cara de boba.
Ela também sorri com lindos olhos escuros, sicilianos.
Felizmente profecia cumprida em parte, porque boca e bico se aproximaram.
Boca que foi para o meu bico.
Os olhares se cruzaram por muito tempo, não houve embaraço, mas muitas coisas foram ditas naqueles olhares.
Olhos que foram para meus olhos.
Nesses momentos, realmente palavras não fizeram falta.
Confesso que não sofri de covardia paralisante e nem ela foi tão determinada, nos encontramos na metade da ponte.
Mãos que foram para o meu corpo.
Agora vou tentar dormir, lembrar e pensar nela.
Depois conto mais.
Sono, gripe forte e frio.
Uma noite mal dormida.
Acabo de chegar de Porto Alegre.
Fiz uma maratona louquíssima.
Fui para passar uma noite e voltar de manhã. Tudo isso com uma gripe terrível.
Profecia cumprida: a moça realmente tem um belíssimo sorriso e fiquei olhando para ele com cara de boba.
Ela também sorri com lindos olhos escuros, sicilianos.
Felizmente profecia cumprida em parte, porque boca e bico se aproximaram.
Boca que foi para o meu bico.
Os olhares se cruzaram por muito tempo, não houve embaraço, mas muitas coisas foram ditas naqueles olhares.
Olhos que foram para meus olhos.
Nesses momentos, realmente palavras não fizeram falta.
Confesso que não sofri de covardia paralisante e nem ela foi tão determinada, nos encontramos na metade da ponte.
Mãos que foram para o meu corpo.
Agora vou tentar dormir, lembrar e pensar nela.
Depois conto mais.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Mulheres

Escrevi para algumas amigas contando que comecei a postar num blog.
Algumas delas estiveram aqui e até deixaram comentários. Só não sei se por educação ou por afeto (rindo muito).
Uma amiga de muito tempo, desde a adolescência, respondeu que admirava minha coragem de compartilhar meu escritos.
Fiquei pensando no que ela disse. Não sei se se referiu ao fato de que até este momento aqui estava dito, senão com todas as letras, ao menos com muitas delas, sobre minha natureza feminina amar outras mulheres. Não sei se foi nisso que ela viu um ato de coragem. Ou se foi mesmo no fato de mostrar o que escrevo.
Bem..., na verdade não tenho pretensão de fazer literatura. Adoraria ter lastro para isso, mas não é para mim.
O que me fez começar a postar aqui é a necessidade de não deixar meus pensamentos diluírem.
Mais do que tudo isso, estava transbordando.
Falar o que penso e sinto passou a ser uma necessidade de saúde mental. Isto aqui está virando quase um ato terapêutico.
Faz poucos dias que falei com outra amiga, mais recente, não menos querida, que disse escrever contos. Prometeu que algum dia mandará para eu ler. Pelo que entendi, tais contos são muito guardados. Como ela é uma pessoa que considero culta, inteligente, sensível e já trabalha na área das letras, deve escrever bem. Acho que agora inflei de todo a bola dela.
Queria questionar isso, esse medo que todos temos da crítica. Será isso, será timidez?
Talvez por medo de ser criticada, fiquei tanto tempo presa, pensando sozinha e pensando muita besteira sobre mim. E o pior de tudo, me reprimindo, amordaçando, me tratando mal. Não falo apenas no ato de não me permitir escrever, mas principlamente não me permitir amar do jeito que amo. Isso é algo que só diz respeito a mim e a quem estiver comigo. Não tenho obrigação de divulgar nem de esconder, a escolha é minha. Passei a maior parte da vida escondendo de mim, com medo dos outros. Desses não posso esperar aceitação, entendimento, já que são tantos anos de (pré)conceitos estratificados quanto a como os outros devem amar e deixar de amar.Também serão muitíssimos outros anos para mudar. Já começou, mas é lento.
Buscar respeito começa por mim e em mim.
Vejo agora que minha amiga citada no começo tinha certa razão, dentro do meu mundinho, precisei coragem sim.
Neste exato instante algo maravilhoso aconteceu. Enquanto escrevia, recebi e-mail de outra amiga, também da adolescência, da mesma turma dessa que mencionei. Agora ela mora em Barcelona e nossos contatos são escassos. Ah se eu pudesse transcrever o e-mail....não resisto a passar ao menos o espírito dele: "tantos anos fechada e agora virastes um livro aberto". Também brincou pedindo o telefone da minha terapeuta, pois o trabalho dela deve ser excelente. Gostou muito do que leu aqui. Quase morri de rir, inclusive com os olhos e com o coração, riso total.
Se neste momento não tenho uma namorada e que ainda cozinhe bem, ao menos minha vida está cheia de mulheres que amo. Desde muito tempo a presença delas, seja perto, seja muito longe, seja online, deixa minha alma quentinha e aconchegada. Obrigada a vocês todas.
Ah, mas se pintar uma paixão.............
domingo, 24 de junho de 2007
Preguiça bem boa...........
Sei que não é lá muito correto dizer "bem boa", mas é intencional.
Queria que fosse redundante mesmo.
Coisa boa é fazer preguiça e coisa triste (dramática!) é não poder.
Pois é, hoje está um belíssimo domingo de inverno. Frio e sol.
Perfeito para ficar em casa, se possível de pijama, comendo bergamota, ouvindo música.
Para ficar ainda melhor, uma namorada que cozinhasse bem e fizesse o almoço, seria divino. Deus é bom mas nem tanto. E se for, não foi comigo. Eu sei senhor, "não blasfemar". Não sei muito bem o que é blasfêmia, mas reclamar de não ter namorada e ainda uma que cozinhe bem, deve ser. Com agravante, inveja de quem tem!
Prosseguindo a lamúria dominical, domingo é dia de fazer diplomacia familiar. Fazer companhia para os parentes de outras cidades que por aqui estão em visita. Nada contra, pessoas ótimas. Mas meu bioritmo está pedindo recolhimento na minha ostra, no meu mundinho.
Parece um contra-senso, mas tomara que as horas corram, que esse maravilhoso domingo de inverno termine, para poder voltar para o meu cantinho e se possível encontrar online alguém que seja meu, alguém que seja do meu planeta e terminar o dia assim, "em casa".
Sinal dos tempos, está tudo doido mesmo.
Quem pensaria nisso não muitos anos atrás?
Queria que fosse redundante mesmo.
Coisa boa é fazer preguiça e coisa triste (dramática!) é não poder.
Pois é, hoje está um belíssimo domingo de inverno. Frio e sol.
Perfeito para ficar em casa, se possível de pijama, comendo bergamota, ouvindo música.
Para ficar ainda melhor, uma namorada que cozinhasse bem e fizesse o almoço, seria divino. Deus é bom mas nem tanto. E se for, não foi comigo. Eu sei senhor, "não blasfemar". Não sei muito bem o que é blasfêmia, mas reclamar de não ter namorada e ainda uma que cozinhe bem, deve ser. Com agravante, inveja de quem tem!
Prosseguindo a lamúria dominical, domingo é dia de fazer diplomacia familiar. Fazer companhia para os parentes de outras cidades que por aqui estão em visita. Nada contra, pessoas ótimas. Mas meu bioritmo está pedindo recolhimento na minha ostra, no meu mundinho.
Parece um contra-senso, mas tomara que as horas corram, que esse maravilhoso domingo de inverno termine, para poder voltar para o meu cantinho e se possível encontrar online alguém que seja meu, alguém que seja do meu planeta e terminar o dia assim, "em casa".
Sinal dos tempos, está tudo doido mesmo.
Quem pensaria nisso não muitos anos atrás?
sábado, 23 de junho de 2007
Sábado 16 horas, chove chuva
Sábado, 23 de junho, 16 horas.
Meu coração está tão apertado que parece pulsar nos olhos.
Meu pai, por que faço isso comigo?
Por que em nome de uma emoção, maltrato meu corpo e minha saúde?
Minha cabeça parece que vai estourar.
A pressão deve estar alta.
Somatização total.
Por que ser tão burramente intensa, por algo tão bobo?
Ninguém é assim, devo ser a única.
Ninguém se coloca de bandeja pra nada.
Sempre fui assim, desde que me lembro.
Tão imatura.
Se chegar à velhice, o que é dificil com essa pressão arterial, continuarei imatura .
Uma velha gagá e imatura.
Consigo me ver num asilo, ridiculamente apaixonada por outra velhinha.
Por que essas coisas colam em mim?
Bem que poderiam sair com um banho !!!
Meu coração está tão apertado que parece pulsar nos olhos.
Meu pai, por que faço isso comigo?
Por que em nome de uma emoção, maltrato meu corpo e minha saúde?
Minha cabeça parece que vai estourar.
A pressão deve estar alta.
Somatização total.
Por que ser tão burramente intensa, por algo tão bobo?
Ninguém é assim, devo ser a única.
Ninguém se coloca de bandeja pra nada.
Sempre fui assim, desde que me lembro.
Tão imatura.
Se chegar à velhice, o que é dificil com essa pressão arterial, continuarei imatura .
Uma velha gagá e imatura.
Consigo me ver num asilo, ridiculamente apaixonada por outra velhinha.
Por que essas coisas colam em mim?
Bem que poderiam sair com um banho !!!
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Mirame
Vidro não é necessariamente espelho
Sou vidro que teu olhar atravessa sem se deter
Se vidro falasse, te diria em estilhaços:
"OLHA PARA MIM !!!!!!!!!!!!!!"
Sou vidro que teu olhar atravessa sem se deter
Se vidro falasse, te diria em estilhaços:
"OLHA PARA MIM !!!!!!!!!!!!!!"
Idealização II

Sapatilha surrada
Muito trabalho para ser tão leve
Tão ágil
Dores nos pés
Choro...
Movimentos leves
Perfeitos
Após muito exercício
Caimbras
Por que insisitmos, nos apegamos à idéia do mágico, do encantado?
Por que a geometria indispensável?
Por que só há felicidade se tudo for belo, liso, claro, leve...
Que outros adjetivos posso usar em nome do ideal?
Adjetivos do concreto, do visual, do olfativo, do sensorial?
Ou isso é algo inquestionável, um dogma?
Ou há algo muito reacionário nisso que precisa ser revolucionado?
Ainda não sei, não sei mesmo
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